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Energia vagabunda

Energia vagabunda é o nome do mais recente livro de Sylvain Tesson, que eu adoro. Nele, o andarilho e viageiro nos diz que esse é o nome que deu àquela força que mora dentro de nós e que convocamos, lá de nossas entranhas, para produzir o combustível que nos move e anima.

Vem de nossa geografia íntima essa dynamis, esse elã que toma conta de nós de diferentes modos, já que cada um de nós tem uma fonte de energia diferente. Alguns são sedentários, outros aventureiros, outros irrequietos. E outros, como eu, têm simplesmente sede de novos horizontes (diz ele).

Quanto a mim, aprecio movimento, novidade e mudança, mas em doses muito precisas e a partir de princípios determinados. Eu não tenho jamais vontade de escalar uma montanha ou fazer caminhadas sem fim, mas preciso ver o que não vi ainda, estar onde nunca estive, contemplar o céu de outras paragens.

Ver como andam as pessoas, como brilham as águas do rio da cidade (prefiro as que têm um), como são as estações de trem, como são os trens, como são os vagões de trem. Uma das coisas de que mais gosto é a musiquinha das estações.

Frenesi, necessidade de estar em outro lugar. Uma espécie de doença mental da inquietude, de insultar seus próprios hábitos e se desfazer deles por algum tempo, para voltar a eles melhorada depois.

Voltar para casa como se volta para o amante preferido, doce contato íntimo com o que nos é conhecido e confortável.

Esse estado interior é algo que não dominamos, volta e meia vem aquela inquietude que nos faz querer simplesmente levantar e atravessar o oceano – de avião, claro, porque eu detesto barcos e navios e jangadas e tudo o que flutua como legumes numa sopa, que aliás também detesto.

Prefiro outras coisas que flutuam, como pensamentos ou perfume. Legumes e embarcações, francamente não.

Marly N Peres

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