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Epidemias

Confinamento : não, não somos os primeiros. Estamos passando por uma guerra silenciosa e o inimigo é invisível (mesmo que sua origem não seja…).

Podemos nos estressar mais e mais, clicando e clicando e clicando, ou podemos aproveitar para ler um pouco. Fizemos para você 21 resumos de livros cujo tema central é uma epidemia.

De Tucídides ou Sófocles a Camus ou Stephen King, passando por Garcia Márquez, muitos autores se inspiraram nesse fenômeno de epidemia ou vírus. Temos aí um terreno se dramaturgia de primeiríssima ordem, no qual o verdadeiro caráter das pessoas se revela e os sentimentos se exacerbam. Não à toa tantos escritores imaginaram uma história calcada no ouro líquido que são as situações em que a natureza humana aparece de modo cru e verdadeiro, em toda sua grandeza.

1. “Guerra do Peloponeso”, Tucídides (séc. V antes da nossa era)
2. “Édipo rei”, Sófocles (séc. V antes da nossa era)
3. “Decameron”, Boccagio (1353)
4. “O diário do ano da peste”, Daniel Defoe (1722)
5. “A peste escarlate”, Jack London (1912)
6. “A peste”, Albert Camus (1947)
7. “O hussardo no telhado”, Jean Giono (1951)
8. “O sexto dia”, André Chedid (1960)
9. “Epidemia”, Frank G. Slaughter (1968)
10. “A dança da morte”, Stephen King (1978)
11. “O amor nos tempos do cólera”, Gabriel Garcia Márquez (1985)
12. “Outbreak”, Robin Kook (1987)
13. “O nono dia”, Hervé Bazin (1994)
14. “Salão de beleza”, Mario Bellatin (1994)
15. “A quarentena”, J.M.G Le Clézio (1997)
16. “Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago (1995)
17. “Oryx e Crake”, Margaret Atwood (2003)
18. “Peste”, de Chuck Palahniuk (2008)
19. “Nêmesis”, Philip Roth (2010)
20. “Num mundo perfeito”, Laura Kasischke (2010)
21. “Pandemia”, Franck Thilliez (2015)  

1. “Guerra do Peloponeso”, Tucídides (séc. V antes da nossa era)

Inaugurando o gênero de relato histórico imparcial, cronológico e detalhado, Tucídides escreve o que até hoje é considerado o modelo e obra-prima do gênero.

Explica as causas da guerra, os sintomas da doença que vai minando Atenas por dentro e mata mais de 35% de sua população, e – sobretudo – mostra com casos reais e testemunhos diretos como a moral escorre rapidamente pelo ralo em situações extremas. Além disso, dá exemplos de como a natureza humana nos impele ao erro, tanto em situações de nossa vida pessoal, quanto coletiva.

2. “Édipo rei”, Sófocles (séc. V antes da nossa era)

Quem provocou a cólera dos Deuses enviando a peste à cidade de Tebas ? Essa pergunta é o ponto de partida de uma série de acontecimentos que levarão Édipo a cumprir seu funesto destino, anunciado pelo oráculo de Delfos : matar o pai e casar com a mãe (não, não foi Freud quem teve a brilhante sacada, ele só copiou… e não contou).

Em Sófocles a peste já aparece como algo que provoca uma tragédia, pois ela figura de modo metafórico a violência dos humanos.

3. “Decameron”, Boccagio (1353)

Fugindo da peste que devasta Florença em 1348, 7 moças e 7 rapazes fogem para o campo. Durante 10 dias, cada um vai contar uma história, ou sobre um tema livre ou sobre um tema imposto a todos. O livro começa com a descrição da peste, que o autor viveu bem de perto. Ele é composto de 100 relatos e é considerado como o primeiro desse gênero.

4. “O diário do ano da peste”, Daniel Defoe (1722)

O livro é, na verdade, uma reportagem sobre a epidemia de peste bubônica que matou 70 mil habitantes de Londres em 1665. Misturando realidade e ficção, o autor cria personagens e diálogos, mas aproveita para registrar os fatos com o olhar de um repórter.

5. “A peste escarlate”, Jack London (1912)

A história é uma ficção que envolve um professor universitário que erra em companhia dos netos, cobertos de pele de animais, na baía de San Francisco, região devastada 60 anos antes por uma epidemia terrível.

6. “A peste”, Albert Camus (1947)

O livro contemporâneo por excelência, sobre a epidemia, é uma crônica sobre a vida cotidiana na cidade de Oran, terra-natal do escritor, submersa numa epidemia de peste nos anos 1940. A peste é uma metáfora para a Segunda Guerra, o nazismo e, principalmente, o mal em geral.

Camus faz denuncia a incúria da administração, uma imprensa que se volta com facilidade para a propaganda política, e mostra como uma situação excepcional mostra rapidamente a natureza humana.

7. “O hussardo no telhado”, Jean Giono (1951)

O cólera se espalha pela região da Provença, na França. Estamos em 1832. Angelo Pardi, um hussardo exilado na França é perseguido pelos austríacos, que desconfiam da participação dele num complô de revolta. O jovem soldado cuida das vítimas que cruza, sem temer a epidemia. as estradas estão interrompidas, as cidades sob barricadas, os viajantes são postos em quarenta e desconfia-se que Angelo tenha envenenado as fontes de água. Ele que observa a paisagem esplêndida que cerca a cidade e cujo nome faz um jogo de palavras com “anjo”, em meio ao maramos dos homens, ele atravessa esse campo de ruinas sem se contaminar, protegido por sua pureza e coragem.

8. “O sexto dia”, André Chedid (1960)

A história de Hassan, menino contaminado pelo cólera, e que é protegido pela avó, de todos e contra todos, “os que espiam e os que desconfiam”, os que querem raptá-lo, por medo que contagie a todos, e a avó que pensa ser preciso aguentar até o 6º dia. Porque no 6º dia, ela acredita, ou bem se morre ou bem se ressuscita.

9. “Epidemia”, Frank G. Slaughter (1968)

O autor escreve a partir da própria experiência como médico, sempre pontuando a ficção com seu interesse pela história e a bíblia cristã. Introduz o leitor no universo da pesquisa médica e das novas tecnologias do setor.

10. “A dança da morte”, Stephen King (1978)

Este é um suspense em que o mestre do gênero imagina a propagação de um vírus saído diretamente do exército americano. Com um percentual de contaminação próximo dos 100%, os poucos que sobrevivem procuram encontrar uma velha senhora de 108 anos, de quem depende sua salvação.

11. “O amor nos tempos do cólera”, Gabriel Garcia Márquez (1985)

O autor pôs as epidemias em mais de um romance. Neste. A doença serve de pano de fundo para um romance que não se cumpre. O vírus é uma alegoria do sentimento amoroso, que contamina para sempre a alma de um jovem poeta.

12. “Outbreak”, Robin Kook (1987)

Quando o diretor de uma clínica sucumbe, e com ele mais 7 pacientes, a um vírus incurável e extremamente contagioso, o centro de saúde de Atlanta aperta o botão de alarme. A menos que o vírus seja isolado e controlado, a humanidade pode ser confrontada à crise médica mais grave desde a Peste Negra.

13. “O nono dia”, Hervé Bazin (1994)

Uma terrível epidemia surge em Bombaim, na Índia. É um vírus chamado de “super gripe” e que mata gente no mundo todo. Enquanto a pandemia dizima populações, um biólogo retoma pesquisas consideradas muito perigosas : manipulações genéticas em laboratórios ultrassecretos, somas colossais de dinheiro envolvidas, sem falar da vaidade de encontrar a saída. Um cenário em que o ser humano controla todos os meios de sua própria destruição.

14. “Salão de beleza”, Mario Bellatin (1994)

Um cabeleireiro dono de um sofisticado salão de beleza se traveste à noite e faz programas. Quando a grande cidade na qual ele vive é atingida por uma peste implacável e desconhecida, ele passa a ele começa a abrigar pessoas doentes em seu salão. A doença não é nomeada, mas transparece que é AIDS. O cabeleireiro tem pena de quem sabe que vai morrer, mas mantém uma distância emocional e uma relativa indiferença.

15. “A quarentena”, J.M.G Le Clézio (1997)

Esse romance foi inspirado na história verídica do avô do autor. São dois irmãos que em 1891 voltam de navio para a ilha Maurice, sua terra-natal. Mas uma epidemia de varíola a bordo os obriga a viver por vários meses numa ilha, com os outros passageiros, todos em quarentena.

16. “Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago (1995)

O início de uma pandemia que que não poupa ninguém é a cegueira que atinge um homem. A população é obrigada a viver em quarentena e perde suas referências. Só uma mulher – de uma “brancura luminosa” – não é afetada e talvez seja ela a única capaz de salvar a humanidade mergulhada nas trevas.

17. “Oryx e Crake”, Margaret Atwood (2003)

Depois de catástrofe que dizima a Terra, um sobrevivente, que se autodenomina “homem das neves” vive isolado, como pária em seu próprio habitat. A lembrança do mundo de antes ele tem em imagens, nos DVD aos quais assiste. Além disso, sua única ocupação é sair à procura de insetos para comer. Ele se pergunta como tudo aconteceu tão depressa. E conforme vai reconstituindo sua recordações, sua mente é povoada pelas vozes de seus amigos da juventude Oryx e Crake – personagens-chave por trás do Projeto Paradiso, o grande responsável pelo fim da espécie humana.

18. “Peste”, de Chuck Palahniuk (2008)

Num futuro próximo, a população está dividida em dois grupos : um vive durante o dia, o outro durante a noite, num estado de sítio rigoroso. O personagem central é Buster Casey, que tenta de toda forma ser arranhado mordido, picado. Tanto ele faz que acaba sendo contaminado pela raiva. Que ele se apressa a transmitir a todo mundo.

19. “Nêmesis”, Philip Roth (2010)

Newark, EUA, 1944. Uma epidemia de poliomielite se abate sobre uma cidade de 450 mil habitantes. Bucky Cantor, 23 anos, o vigoroso diretor de um clube esportivo, continua a receber as crianças e enfrenta com coragem e sangue-frio o aparecimento dos primeiros casos, dos primeiros mortos, o luto e a dor das famílias. Uma comunidade de pessoas face a um cataclisma que os ultrapassa e aos sentimentos que resultam dessa situação : o medo, a culpa, a dor, o desanimo, o egoísmo.

20. “Num mundo perfeito”, Laura Kasischke (2010)

História de Jiselle, que pensa ter encontrado o príncipe encantado num sujeito viúvo e pai de 3 filhos. Ela se casa com ele e deixa o emprego de comissária de bordo. Mas o conto de fadas se transforma em pesadelo quando Mark a deixa cada vez mais sozinha com as crianças (nada fáceis) e que uma misteriosa pandemia atinge os Estados Unidos.

21. “Pandemia”, Franck Thilliez (2015)  

A França afetada por uma epidemia de gripe que se transforma em pandemia, com um pano de fundo de ataque terrorista.

Marly N Peres

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