O Espírito absoluto, ou como voltar para casa
29 de janeiro de 2021
Itália
29 de janeiro de 2021

Hegel

Nas Lições sobre a História da Filosofia, Merleau-Ponty afirma categoricamente : “Hegel está na origem de tudo o que se fez de grande em Filosofia há um século – Marx, a fenomenologia e o existencialismo alemão, a psicanálise.”

Paris continua sendo a cidade querida da humanidade, aquela que, como escrevia Sébastien Mercier em 1788, em seu« Tableau de Paris », fixa para sempre « os olhares do mundo inteiro ».

Por isso às vezes, para não dizer a intervalos cada vez mais breves, meu olhar fica perdido, procurando o que reconhecer. Hesitante, vagueia. Tateia espaços, sem pousar com brilho. Desalentado, busca referências sem encontrar. Triste, desanima e desiste, se refugiando na lembrança. Acabrunhado, dorme vazio. Não é saudade, é falta.

É uma ausência avassaladora que vai envolvendo os dias numa névoa difusa que só quer se dissipar e reencontrar com um suspiro de alívio aquele céu, aquelas ruas, aquela margem de rio, aquelas fachadas. Aquele estar ali, simplesmente. Para poder fixar o olhar, mansamente. Terra firme, casa, referência.

Abastecidos os olhos, todo o resto vai para o lugar, o peito arfa cadenciado, uma calma quentinha invade tudo por dentro, o sorriso brota fácil, o ar fica leve de respirar e à noite o olhar descansa enfim, apaziguado e alojado.

Paris reste la ville chérie de l’humanité qui, comme l’écrivait Sébastien Mercier en 1788 dans son « Tableau de Paris », fixe pour l’éternité « les regards du monde entier ».

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteudo protegido!