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29 de janeiro de 2021
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29 de janeiro de 2021

“L´Énergie vagabonde”

“L´Énergie vagabonde”

Sylvain Tesson percorre o mundo. Apesar de ele ser sempre um enorme sucesso de público, de crítica e de vendas, confesso que meu xodó é “Un été avec Homère” (Um verão com Homero), do qual tenho dois exemplares para me assegurar de não ficar sem, se por um desastre incontrolável eu perder um exemplar. Porque carrego para todo lado : saguão de aeroportos (no pré-guerra dessa maldita pandemia chinesa), salas de espera, exames clínicos, congestionamentos e outras sessões torturantes de situações urbanas.

Nas estepes da Ásia central, no Tibete, nas florestas francesas ou em Paris – seu porto seguro, para onde sempre volta – ele caminha, escala, acampa numa árvore ou embaixo de uma ponte, constrói cabanas. Esse apaixonado por relevos persegue o maravilhoso e o encantamento. Em plena sociedade inundada e sufocada pela comunicação, ele conclama a um novo tipo de nomadismo, a um vagabundear alegre. Seus textos são um libelo, uma filosofia de bolso de desobediência, de uma resistência doce à ordem estabelecida.

“Em viagem, eu vivo, eu respiro, procuro a aventura. Conheço seres que sabem manter uma conversação, por vezes cruzo com alguns aborrecimentos, colho uma visão, empurro uma porta e saio, com um passo desagradável. Atravesso uma floresta, falo a um homem que não conheço e confio a ele mais coisas do que se fosse meu irmão, porque tenho certeza de não o rever.

A energia vagabunda é a travessia do efêmero, perpetuamente renovado. A energia vagabunda consiste em fazer a colheita de ideias em colinas inspiradas. E, um dia, as notas de transformam em livro. Hoje, esses livros estão reunidos em forma de antologia. Cáucaso, as estepes da Ásia central, as taigas da Sibéria, as planícies da Mongólia e da Rússia, além do planalto do Tibete. Essa geografia imantou meu corpo. Lá, os céus aspiram o olhar. Os horizontes recuam :  nessas paragens, é sem escrúpulos que se avança em ziguezague, por causa do vento que vem de frente ! Eu junto a esses textos a lembrança de minhas voltas de moto nas estradas do Novo e do Velho Mundo, além dos meus acampamentos e minhas escaladas. A esses relatos de passeios mais ou menos controlados, acrescentei reportagens em regiões longínquas, onde os homens vivem existências mais perigosas do que a minha, assim como algumas páginas dos meus diários, escritos na esperança de conferir uma ordem a essas agitações.

Eu creio nas virtudes da tangente e da escapada.

Possa a energia vagabunda jamais se esgotar !”

O que de mais fiel a um autor do que citá-lo ? Sylvain Tesson escreve como pensa : com uma fluidez incomparável.

“A lua transforma o mar num platô de prata sobre o qual a noite me traz estranhos sonhos.”

“Os livros são herbários de nossas recordações perdidas.”

“Viagem organizada : oxímoro.”

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