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O eu detestável

Em seu primoroso e obrigatório Ecce homo, a última obra de Nietzsche, nosso filósofo “trombadinha” demole a triste noção de Pascal, do eu detestável, do ódio do corpo.

Nietzsche nos diz que é o corpo que filosofa, esse é um discurso em primeira pessoa – Eu. A filosofia de cada um é sua autobiografia.

Nietzsche nos fala da vida, da força da vida, do prazer de estar vivo e gozar da suprema liberdade de pensar por nós mesmos, de cabeça erguida e sem culpa.

Intrépido, ele olha por cima do ombro e desconsidera o acanhamento de pensadores tristes como Pascal, teórico do eu detestável, do ódio do corpo. Ao olhar por cima do ombro, Nietzsche entrevê o pensamento de paixão pela vida, pela glória e pela humanidade, que é o grego.

Epicuro, a celebração do simples, do contentar-se com pouco, do alegrar-se com a vida que se tem. Eis a primeira formulação dessa filosofia do gozo da vida. “Da minha vontade de viver retirarei minha filosofia”, dirá Nietzsche mais tarde.

Não, não é uma possível vida futura, uma eventual eternidade que interessa à Filosofia , é o aqui e agora. Nossas relações, nossas mazelas, eu, o outro.

Não, nada de menosprezar o corpo, a vida terrena, o eu. Melhor Epicuro, Nietzsche, a celebração da vida !

[…] O indivíduo que é talhado de uma madeira ao mesmo tempo dura, tenra e perfumada. Ele só ama o que faz bem a ele. Seu prazer e seu desejo cessam assim que ele atinge o limiar do que lhe é necessário. […] Ele faz institivamente a roda da fortuna girar a seu favor. Tudo o que não o mata, o fortalece.”

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