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Pais da Igreja

A Igreja católica tem 2 pais. O 1º, Constantino, transformou uma seita que reunia 6% dos crentes, na época, em religião de Estado e conseguiu, assim, $ para abastecer o caixa da nova Igreja, já que os poderosos tinham todo interesse em “contribuir”.

O 2º, Justiniano, ficou conhecido pelo que fez na área jurídica (a compilação do direito romano na obra Corpus Juris Civilis), masseu maior feito foi ter ordenado que se fechassem TODAS as escolas gregas do império, em especial a Academia, fundada por Platão.

Dessa forma, ele garantia que os textos originais, dos quais os copistas cristãos retiravam só o que interessava à Igreja, fossem apagados e permanecessem desconhecidos. Ou seja, eliminou as fontes teóricas da doutrina, já que toda a base dessa doutrina é grega, Aristóteles e Platão.

Além disso, com o fechamento das escolas terminava o debate, que seguramente não interessava a uma religião baseada num dogma. Como suas 2 outras irmãs de monoteísmo, aliás, o judaísmo e o islamismo. 3 faces de um mesmo “mistério” e postulado.

Se com Constantino começa o poder econômico da Igreja de Roma, é com Justiniano que começa a barbárie do obscurantismo e da ignorância. O mundo precisaria de séculos para recuperar (parte) do atraso e redescobrir sua base cultural “pagã”, que é banco de dados de seu imaginário, de seus arquétipos, de sua escrita, de seu melhor sistema de governo – a democracia, da origem de seus códigos legais e instituições.

O Ocidente deve aos árabes a preservação de textos gregos. Especialmente os mouros, que ocuparam Andaluzia, na Espanha, por quase 8 séculos. Espaço privilegiado de coabitação entre cristãos, muçulmanos e judeus. Infelizmente, caso exemplar e único na História.

Já no final do século IV os cristãos da nova Igreja criada por Constantino naquele mesmo século destroem a biblioteca de Alexandria em – ver Hipácia, em Minutos gregos. Naquela ocasião, os tesouros literários e científicos gregos passaram aos árabes por meio dos monofisitas e nestorianos. O que permitiu a preservação dos ensinamentos.  

Nessa sequência de transmissão, o último e decisivo momento foi a cruzada católica contra Constantinopla, para saquear suas riquezas. O saque foi tão grande e a investida católica tão brutal que a elite da antiga Bizâncio foge para as cidades portuárias italianas, principalmente, dando origem ao Renascimento, com a redescoberta do mundo grego através dos textos e ilustrações e objetos que conseguem carregar – ver Fazendo Escola, em Desmistificando.

Lembrando que se o Império Romano do Ocidente acaba de dentro para fora em 476, o do Oriente duraria mais mil anos, até 1453.

No imenso Império Bizantino as elites falam grego e toda a cultura é grega. Aliás, a cidade de Bizâncio muda de nome e passa a se chamar Constantinopla justamente por obra e graça de Constantino, o sujeito que disse que para um grande império era preciso um grande deus. E tem um sonho…

Um assassino que se casou com uma menina de 7 anos e em seguida mandou matar o cunhado e o sogro, para não ter qualquer ameaça ao seu desejo de reinar sozinho.

Convencido pela mãe (Helena), ele transforma uma religião pessoal em religião de Estado. Helena, a mãe virou santa. E com ele começou a fortuna da Igreja, pois os poderosos da época foram obrigados a “contribuir” com fundos, do contrário não poderiam participar das campanhas de conquista de territórios. Sem falar que um convertido gozava de benesses da Justiça.

Constantino é esperto. Com a história do sonho, ele se filia à tradição judaica, de religião revelada. E se foi revelada, não tem discussão.

Como símbolo da crisma, ele cruza e sobrepõe 2 letras gregas. Isso tudo acontece no ano 312.

Começa ali a história da Igreja e seleção dos textos que serviriam, de quais apóstolos etc. etc. Fixam-se as datas oficiais, ou seja, cria-se a história oficial.

Isso em 312. No ano seguinte, mais um teve um sonho. Dessa vez foi um tal de Licínio, que se torna imperador do Oriente.

Em 324 acontece a reunificação do Oriente e do Ocidente, e Constantino se torna o todo-poderoso imperador dos dois impérios.

Constantino é pragmático e obtém com isso uma enorme vantagem, pois ao não obrigar os cristãos a se converter, evita que os “pagãos” se voltem contra o cristianismo e contra ele mesmo. A regra mais importante é manter a ordem pública.

Lembrando que ele era tão religioso que só foi batizado no leito de morte.

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