Sobre as águas
30 de janeiro de 2020
Segredo
30 de janeiro de 2020

Sonífero

Durante muitos anos, Immanuel Kant (1724-1804) subscreveu as teses da metafísica dogmática, até que, como ele mesmo disse, a leitura da obra de Hume (1711-1776) o despertou de seu sonho dogmático.

Mas ainda assim continuou postulando a imortalidade da alma e a existência de Deus. Por isso, o filósofo e matemático Bertrand Russell (1872-1970) afirmou em seu História da Filosofia ocidental que se a leitura de Hume tinha acordado Kant de seu sonho dogmático, com certeza ele “inventou rapidamente outro sonífero, que permitiu a ele que dormisse de novo”.

Depois de publicar o livro A religião dentro dos limites da Razão, Kant foi repreendido pelo rei Frederico II, da Prússia, por este considerar que a obra um ataque à religião cristã e, portanto, um desafio à ordem estabelecida. E, havendo insistência, Kant ficaria sem salário e seria desterrado.

Mas Kant se fez de surdo e ainda por cima publicou o ensaio À paz perpétua, no qual defendia a instauração de uma república cosmopolita em que os cidadãos teriam reconhecidos seus direitos de liberdade e igualdade perante a lei, como condição necessária para o estabelecimento da paz universal.

Depois de ler, seu amigo Hippel comentou :

– Nosso nobre ancião se parece cada vez mais com o velho Sólon (séc. -VII), a quem fizeram a seguinte pergunta :

– O que o faz ser tão valente ?

E o grande legislador ateniense respondeu sorrindo :

– Minha idade.

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