Fábulas
6 de janeiro de 2020
Hipácia
6 de janeiro de 2020

Tróia e a OTAN

Olá, pessoal do Base !

Estamos de volta com mais um Minutos gregos. Hoje quero falar com vocês sobre a Guerra de Tróia, a guerra de todas as guerras.

Todo mundo conhece o cavalo de Tróia, que simboliza a astúcia como aquilo que é mais forte do que a força e, ao mesmo tempo, a metáfora do inimigo interno, sempre mais perigoso do que o perigo que vem de fora.

Mas aqui quero falar de outro aspecto, menos discutido e por nós citado em outro vídeo dos Minutos gregos, sobre geopolítica e a Eurásia.

Você já sabe – se assistiu ao vídeo sobre a maçã, que no início de tudo temos a Deusa da discórdia, que cria uma enorme confusão entre o feminino e que vai acabar provocando a Guerra de Tróia.

Quando Páris escolhe o amor da mais bela mulher, Helena acaba traindo o marido, Menelau, que é rei de Esparta, e foge com Páris para Tróia.

Aqui entra um aspecto pouco discutido dessa guerra (há outros) : antes de partir para a guerra, os aqueus (que hoje chamamos de gregos) tratam de reunir contra os troianos todos os povos helenos (que hoje também chamamos de gregos).

Muitos desses povos têm como chefes ex-pretendentes da bela Helena. E agora eles todos são convocados a ajudar Menelau, rei de Esparta, a trazê-la de volta. Por que ?

Para cumprir uma promessa : quando todos os pretendentes de Helena se reúnem, para ouvir a decisão dela, sobre quem será seu escolhido, antes do veredicto eles juram ajudar o futuro marido da bela, pois com certeza alguém vai querer tirá-la dele algum dia.

É por isso que agora vão todos juntos lutar contra Tróia. Na vida real essa guerra aconteceu porque Tróia – que na época se chamava Ílion, por isso o nome do poema que conta a história é Ilíada – era um importante entreposto comercial que os aqueus queriam controlar.

Esse pacto dos pretendentes não é nada muito diferente do que acontece atualmente com a OTAN. Na fundação da organização, que em princípio foi montada como um escudo de proteção contra a ameaça da União Soviética (antes de ela desmoronar), todos os países-membros prometeram solenemente proteção mútua : qualquer ataque contra um deles seria um ataque contra todos e eles se uniriam contra o agressor.

Desde sua criação, em 1949, a OTAN mudou bastante, infelizmente. Hoje ela defende interesses comerciais, transformando o resto do mundo num entreposto cobiçado. Qualquer investida de algum país de fora da OTAN contra os interesses dos EUA, em especial, gera um ataque. Os números e mais detalhes você tem nos Minutos gregos do qual falei no início, sobre a Eurásia.

A Europa tenta rever essas estratégias, mas o poder econômico dos EUA é muito grande e a briga é difícil.

Fica a lição da guerra, nosso modelo até hoje : os vencedores destruíram Tróia, amada dos Deuses, mas a vitória foi amarga e não trouxe o que eles esperavam, muito pelo contrário, pois eles foram castigados por seus excessos e cobiça.

Homero sabia do que estava falando nesse poema que é um retrato incrível e atual do mundo dos homens, suas guerras, seus apetites, suas fraquezas, seu heroísmo.

E como bem ele nos lembra, “Os deuses não farão nada por nós que não façamos sozinhos. Precisamos de um herói.”

Até a próxima !

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