Wagner

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Wagner

“A vida sem música é um erro”, dizia Nietzsche seguramente ouvindo Wagner. Disse mais : “Os Deuses não tiveram crepúsculo, eles morreram de rir !” – um jogo de palavras com o nome de uma das peças de seu ex-amigo-compositor favorito a quem Nietzsche não perdoou (nem dava, né ?) a conversão ao catolicismo. Ele, o maior de todos, o autor da obra poderosa e dionisíaca, ele que musicou a tragédia como ninguém, ele que nos mergulha no indizível, ele que promove o sublime em segundos.

Escutar Wagner é divisar o Olimpo, é ouvir as Musas, é ver o Jardim das Hespérides, é ler Homero, é entrever as dobras da túnica de Athena, é cruzar o olhar de Zeus.

Escutar Wagner é entender o que é movimento, é penetrar o conceito de kínesis em Aristóteles, é querer mais, é entender por que para os gregos o bem supremo é o Belo. É desprezar solenemente o drama, a moral, a pieguice (no sentido filosófico dos termos). É ser trágico (no sentido nietzscheano do termo).

Escutar Wagner é ouvir o som das ondas chegando à areia, é imaginar uma explosão de cores, é sentir o frêmito do que só o que o ser humano é capaz de produzir – arte.

Está na moda falar mal do ser humano. Aos politicamente corretos de plantão, lamento informar que pensamento, arte e riso são privilégio e exclusividade do ser humano. O mesmo que forjou a Filosofia, criou óperas e árias sublimes, o mesmo capaz de ternura e fúria, o mesmo capaz de reconstruir o que destruiu. O único capaz de criar.

Agradecerei incansavelmente a meu pai por me ter feito ouvir horas infindas de música clássica na infância. Por me ter apresentado Wagner. Poucos gestos valem mais na educação de um espírito. Você tem crianças por perto ? Lembre-se disso.

Quanto aos filmes, “Apocalipse now” imortalizou “As Walquírias”. Mas se ainda não viu, veja “Ludwig II” e “Humoresque”. “Ludwig II” é do mestre Visconti, dispensa comentários. A cena azul na neve (sem efeitos especiais por computador) ao som do Prelúdio de “Tristão e Isolda” é obrigatória na vida de qualquer cinéfilo. Quanto a “Humoresque”, é americano mas é bom, de uma época em que até os desenhos animados tinham trilhas sonoras decentes e as atrizes ainda não eram bobas e a cara delas não parecia a de uma boneca inflável. Vale a pena.

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